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12/03/2024

Polarização política, desinformação e discursos de ódio marcam debate sobre mulheres, aponta estudo da FGV ECMI

Desinformação e ataques à Lei Maria da Penha, entre outros assuntos, marcaram o debate nas redes sociais no Mês da Mulher, segundo levantamento realizado pela Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getulio Vargas (FGV ECMI). No estudo, foram analisadas, entre os dias 1 e 10 de março, 11.071 mensagens nas plataformas X, Telegram, WhatsApp, Facebook e Instagram. Além de discursos de ódio, destacam-se comentários de cunho transfóbico tendo como alvo a deputada Erika Hilton e a disputa simbólica entre a atual primeira-dama Janja da Silva e a anterior Michelle Bolsonaro, sobre quem seria a “melhor” em sua posição. 

Na primeira análise, na rede social X, foram discutidos eventos e postagens sobre o dia da  mulher, com dois lados políticos se articulando sobre o tema. Nos perfis de oposição ao governo, o movimento feminista foi destaque, sendo associado a uma agenda politico-partidária de esquerda. O presidente Lula também foi criticado, acusado de omissão  em relação à defesa das mulheres na guerra em Gaza, e a um suposto aumento de casos de violência contra mulheres em comparação ao governo anterior. 

A oposição  repercutiu, nas redes, posts sobre o  evento comemorativo ao Dia das Mulheres do partido PL, em Brasília, que contou com a presença de Jair e Michelle Bolsonaro e, também, o caso de mulheres detidas no dia 8 de janeiro, que teriam resistido à alegadas práticas de tortura na ocasião. 

No  Facebook e no Instagram, perfis de mídia hiper partidária e atores políticos de direita, como a deputada federal Bia Kicis, fizeram ataques à também deputada Erika Hilton, após ela ser escolhida para uma homenagem feita pelo caderno Ela do jornal O Globo para o Dia das Mulheres. Outros ataques à população trans, como notícias falsas relacionadas à transmissão de HIV para bebês a partir de amamentação voluntária, também tiveram espaço nas redes. Posts com críticas à declaração do Ministro da Educação, Camilo Santana, sobre a possibilidade de estipular cotas para pessoas trans nas instituições de ensino federais foram compartilhados

Outro assunto que repercutiu em perfis de direita foi a comparação entre Janja da Silva e Michelle Bolsonaro com posts , em que a resposta da pergunta sobre qual das duas representavam mais os seguidores desencadeou comentários que classificam Michelle como uma “mãe de família”, “verdadeira primeira-dama”, de “valores morais” e “honra”, Janja, por outro lado, foi denominada como “mulher de bandido”. 

Acesse o estudo completo aqui.

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19/2018.

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